Segundo informações divulgadas pelas duas empresas, trata-se de um acordo plurianual que posiciona a Disney como parceira estratégica de referência da OpenAI na expansão da Sora. O objetivo passa por testar aplicações de IA em várias fases da cadeia criativa, desde o desenvolvimento conceptual até ferramentas tecnológicas internas.
Além do licenciamento de propriedade intelectual para a Sora, a Disney passará também a:
- Utilizar APIs da OpenAI em diferentes áreas do grupo
- Disponibilizar o ChatGPT em contexto empresarial para trabalhadores
Este movimento reflete a crescente adoção de soluções de IA por grandes grupos de media e entretenimento.
“Linhas vermelhas” no uso da inteligência artificial
A exclusão explícita de vozes e rostos de atores é vista como um sinal claro das linhas vermelhas que a Disney pretende impor ao uso da IA. A empresa procura evitar riscos legais, reputacionais e éticos associados à recriação digital de pessoas reais, sobretudo após as recentes negociações laborais em Hollywood, onde as réplicas digitais e a clonagem de voz foram temas centrais.
Ao definir estes limites, a Disney estabelece um precedente relevante para futuras parcerias entre estúdios e plataformas tecnológicas.
O que será permitido na prática
Na prática, o acordo permite que utilizadores e criadores:
- Gerem vídeos com personagens fictícias licenciadas
- Utilizem universos e propriedades intelectuais da Disney em formatos criativos
Mas impede explicitamente:
- A imitação de atores reais associados às franquias
- A recriação ou clonagem de vozes humanas
- O uso de IA para simular a identidade de intérpretes
Reação dos argumentistas e debate sobre treino de modelos
O anúncio motivou reação do Writers Guild of America East (WGAE), que pediu esclarecimentos adicionais à Disney. O sindicato manifestou preocupação com a forma como conteúdos criados por argumentistas podem ser utilizados, direta ou indiretamente, em ecossistemas de IA, e pretende reunir-se com a empresa para avaliar impactos nos direitos dos seus membros.
Impacto para o entretenimento e para os fãs
O acordo é visto como um passo estruturante na formalização do uso de IA generativa com licenciamento explícito, num setor marcado por disputas legais sobre utilização não autorizada de obras e personagens.
Para a Disney, a parceria funciona como um teste controlado à integração da inteligência artificial, permitindo explorar novos formatos de criação e envolvimento do público sem abdicar da proteção dos direitos de talento humano.

