
Líderes europeus selaram acordo histórico para financiar Ucrânia até 2027, sem usar ativos russos congelados – numa resposta indireta aos EUA de Trump. Von der Leyen chama de “momento de independência” da Europa.



Detalhes Principais do Acordo
- Valor exato: 90 mil milhões de euros (cerca de 105-106 mil milhões de dólares, dependendo da cotação).
- Período: Para cobrir necessidades financeiras da Ucrânia em 2026-2027 (orçamento, defesa e economia).
- Como funciona: Empréstimo sem juros, levantado pela UE nos mercados de capitais e garantido pelo “headroom” do orçamento comunitário (margem entre contribuições dos Estados-membros e gastos máximos).
- Condições: Parte do dinheiro deve ser usado para comprar equipamento militar “Made in Europe” (prioridade à indústria de defesa europeia). Ucrânia só reembolsa quando Rússia pagar reparações de guerra.
- Cobertura: Cobre cerca de 2/3 das necessidades totais da Ucrânia para os dois anos (estimadas em 137 mil milhões de euros pelo FMI).
Contexto e Porquê Não Usaram Ativos Russos Congelados
- Plano inicial (preferido por Alemanha e von der Leyen): Usar ~210 mil milhões de euros de ativos russos congelados (maioria em Euroclear, na Bélgica) para um “empréstimo de reparações”.
- Bloqueio principal: Bélgica (PM Bart De Wever) recusou por riscos legais e financeiros – Rússia processou Euroclear e ameaça retaliações.
- Resultado: Acordo alternativo após negociações intensas até às 3h da manhã em Bruxelas (cimeira de 18-19 dezembro).
- Porta aberta: Líderes mantiveram possibilidade de usar lucros dos ativos russos no futuro para reembolsar o empréstimo à Ucrânia.
- Ursula von der Leyen (num discurso recente ao Parlamento Europeu): Chamou a decisão de financiamento à Ucrânia de “momento de independência” da Europa – mostrando que o bloco age sozinho, independentemente de pressões externas (indireta a Trump). António Costa (Presidente do Conselho Europeu): “We have a deal. Decision to provide 90 billion euros of support to Ukraine for 2026-27 approved.” Volodymyr Zelenskyy: Agradeceu o pacote, mas lamentou não usar ativos russos; participou na cimeira e alertou que sem ajuda, Ucrânia esgotaria fundos no 2º trimestre de 2026. Viktor Orbán (Hungria): “Hungary remains the voice of peace… will not let Hungarian taxpayers’ money be used.” (Hungria, Eslováquia e Chequia optaram por não contribuir diretamente, mas não bloquearam).

