Bruxelas, 21 de dezembro de 2025 — A Comissão Europeia está envolvida num confronto institucional com um meio de comunicação sediado em Bruxelas, após ter restringido o seu acesso a briefings informais e reuniões de bastidores com responsáveis comunitários, uma decisão que está a gerar forte polémica no meio jornalístico europeu.
A medida, confirmada por fontes ligadas às instituições europeias, foi justificada pela Comissão com alegadas quebras das regras de confidencialidade associadas aos encontros “off the record”. No entanto, o órgão de comunicação afetado rejeita essa versão e classifica a decisão como uma retaliação direta ao jornalismo crítico desenvolvido nos últimos meses.
Restrição de acesso levanta preocupações sobre liberdade de imprensa
A exclusão de briefings reservados — prática comum no funcionamento diário das instituições europeias — é vista por associações de jornalistas como um precedente preocupante, podendo limitar o acesso equitativo à informação e condicionar a cobertura independente da atividade política da União Europeia.
Várias organizações de defesa da liberdade de imprensa alertam que este tipo de decisão pode criar um efeito dissuasor sobre outros meios sediados em Bruxelas, muitos dos quais dependem desses contactos para contextualizar decisões complexas da UE.
Posição da Comissão Europeia
Em resposta às críticas, a Comissão Europeia afirma que a decisão não constitui uma sanção editorial, mas sim uma aplicação rigorosa das regras internas que regem a relação com a imprensa. Bruxelas sublinha ainda que o meio em causa mantém acesso a conferências de imprensa oficiais e a documentos públicos.
Ainda assim, a Comissão recusou esclarecer se a medida é temporária ou definitiva, remetendo qualquer reavaliação para “avaliações internas futuras”.
Reação do setor mediático em Bruxelas
O caso está a ser acompanhado de perto por outros correspondentes europeus, que veem na situação um teste à transparência institucional da União Europeia. Nos bastidores, cresce a preocupação de que o acesso privilegiado possa passar a depender do tom editorial adotado pelos órgãos de comunicação social.
Alguns eurodeputados já defenderam que o Parlamento Europeu deverá acompanhar o caso, considerando que a liberdade de imprensa é um valor fundador da União Europeia.
🧭 Contexto e impacto
Bruxelas acolhe centenas de jornalistas especializados em assuntos europeus, desempenhando um papel central na mediação entre as instituições da UE e os cidadãos. Qualquer limitação ao acesso da imprensa tem impacto direto na qualidade da informação pública e na perceção de transparência das decisões comunitárias.
O desenrolar deste confronto poderá levar a uma clarificação formal das regras de relacionamento com os media, ou mesmo a mudanças nos procedimentos de comunicação institucional da Comissão Europeia em 2026.

