Portugal, 21 de dezembro de 2025 — Um **estudo recente revela que cerca de 30 concelhos portugueses não dispõem de oferta de ensino secundário, obrigando muitos estudantes a percorrer longas distâncias — mais de duas horas por dia — em transportes escolares ou públicos para frequentar aulas noutros municípios. Esta situação agrava desigualdades educacionais e evidencia desafios estruturais no território nacional. Facebook+1
Os dados, partilhados por um relatório divulgado recentemente nas plataformas sociais e citado pelo Expresso, indicam uma preocupação crescente com a distribuição geográfica da rede escolar em Portugal. Em muitas zonas rurais ou de baixa densidade populacional, a ausência de cursos secundários presenciais tem um impacto direto no dia a dia de famílias e alunos. Facebook
Desigualdade geográfica e tempos de deslocação elevados
De acordo com o estudo, aos alunos de alguns concelhos do interior do país não basta apenas frequentar estabelecimentos de ensino básico: para concluir o 10.º ao 12.º ano, são forçados a deslocar-se diariamente para concelhos vizinhos, com tempos de transporte que podem ultrapassar as três horas por dia. Estes deslocamentos longos implicam custos logísticos elevados e desgaste físico e psicológico para os estudantes. Threads
Organizações de defesa da educação apontam que estas disparidades territoriais na oferta escolar contribuem para quebras no desempenho académico e, em casos extremos, para desistências precoces, prejudicando a coesão social e as oportunidades de futuro para jovens de zonas mais isoladas.
Aldeias a perder população e escolas sem oferta
Especialistas em educação sublinham que a demografia dos territórios influencia diretamente a viabilidade de escolas secundárias: concelhos com pouca população jovem e tendência de envelhecimento veem-se na obrigação de encerrar turmas ou mesmo escolas completas por falta de alunos, agravando um ciclo de declínio populacional e diminuição de serviços comunitários. Facebook
Este fenómeno não se limita à simples falta de oferta educacional. Acaba por refletir um problema mais amplo de coesão territorial em Portugal, onde investimentos em infraestruturas, transportes e serviços básicos ainda não conseguem colmatar diferenças entre litoral e interior.
Impacto no futuro dos estudantes
Pais, alunos e associações ligadas à educação pedem uma revisão urgente das políticas públicas no sector. Entre as propostas discutidas estão:
- Reforço de ofertas de ensino secundário em concelhos isolados;
- Apoio ao transporte escolar e incentivos para as famílias;
- Criação de polos educativos integrados com ensino à distância e apoio presencial local.
O debate sobre estas medidas deverá intensificar-se em 2026, com a discussão de planos educativos regionais no âmbito da Estratégia Nacional para a Educação, a definir pelo Ministério da Educação.
🧭 Contexto educativo nacional
Portugal tem feito progressos em vários indicadores de desempenho educativo, mas as disparidades regionais persistem, especialmente na transição para o ensino secundário e no acesso equitativo a oportunidades de aprendizagem em todo o território. Relatórios internacionais também destacam a necessidade de promover maior inclusão e equilibrar a distribuição de recursos educativos entre zonas urbanas e rurais. cnedu.pt

