Brasília, 23 de dezembro de 2025 — **Análises económicas recentes indicam que a administração federal brasileira caminha para registar o maior rombo nas contas públicas desde a estabilização da moeda com o Plano Real em 1994, reflectindo um cenário de deterioração fiscal, crescimento da dívida pública e fragilidade das receitas face às despesas. Especialistas em finanças públicas alertam para os riscos de continuidade dessa trajectória, que pode afectar a confiança de investidores e a sustentabilidade das contas públicas a médio prazo. Gazeta do Povo
Déficit fiscal elevado e endividamento
Segundo dados divulgados por organismos económicos e pela imprensa brasileira, o país enfrenta um déficit fiscal crescente em 2025, resultado de um quadro em que as despesas do Estado superam largamente as arrecadações. A média do défice nominal do orçamento federal deverá alcançar níveis recorde, sendo qualificada por especialistas como a maior negativa desde a era pós-Plano Real. Gazeta do Povo
Relatórios preliminares indicam que esse défice resulta de uma combinação de incremento de gastos públicos, sobretudo em programas sociais e despesas obrigatórias, com crescimento insuficiente de receitas tributárias num contexto de crescimento económico moderado. Modelos de previsão elaborados por instituições independentes sugerem que sem ajustes fiscais mais rigorosos, o rombo poderá persistir ou agravar-se nos próximos anos. Senado Federal
A dívida pública bruta do Brasil também tem registado níveis elevados, situando-se próximos de 80% do produto interno bruto (PIB) em 2025, segundo a Intituição Fiscal Independente (IFI). Esse patamar coloca a sustentabilidade fiscal brasileira sob escrutínio internacional, dado o peso crescente dos encargos de juros e amortizações. Senado Federal
Comparação histórica com o Plano Real
O Plano Real, implementado em 1994, marcou um ponto de viragem na economia brasileira ao estabilizar a inflação cronicamente alta e restaurar a credibilidade macroeconómica do país. Desde então, os déficits fiscais e o endividamento foram controlados por várias décadas, até serem afetados por crises económicas e políticas nos anos seguintes. Serviços e Informações do Brasil
O atual quadro fiscal — com rombos projetados superiores aos níveis observados em décadas recentes — destaca-se pelo facto de ocorrer em ambiente de inflação relativamente estável, crescimento económico modesto e limitações no ajuste automático de receitas, o que reforça as preocupações de economistas sobre a capacidade de resposta do Estado. Wikipédia
Pressões sobre políticas públicas e possíveis respostas
Economistas e analistas de mercado destacam que a persistência de um grande déficit pode levar a:
- aumento das taxas de juros pelo Banco Central para controlar pressões inflacionárias e manter a credibilidade do real;
- cortes ou contingenciamento de despesas públicas em áreas não obrigatórias;
- reformas fiscais e tributárias emergenciais para expandir a base de receitas. Wikipédia
A IFI já sinalizou que, para equilibrar as contas, o governo necessitará de medidas de contenção mais firmes e um compromisso claro com metas fiscais a médio prazo, sobretudo para evitar um aumento ainda maior da dívida pública face ao PIB. Senado Federal

