MARYLAND (EUA) — Um cidadão português foi baleado por agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement) durante uma operação de imigração realizada na véspera de Natal, 24 de dezembro, em Glen Burnie, no estado norte-americano de Maryland, segundo confirmaram várias fontes oficiais norte-americanas.
O incidente ocorreu por volta das 10h50 (hora local), quando agentes federais tentaram abordar uma carrinha com dois ocupantes no âmbito de uma acção de fiscalização migratória. De acordo com a versão preliminar do ICE, o condutor não obedeceu às ordens para parar e terá efectuado manobras consideradas perigosas, levando os agentes a abrirem fogo contra o veículo.
Português ferido e hospitalizado
O condutor da viatura, identificado por meios norte-americanos como Tiago Alexandre Sousa-Martins, cidadão português residente nos Estados Unidos, foi atingido por disparos e transportado para o hospital, onde permanece internado em estado estável, segundo a Associated Press.
O passageiro do veículo também ficou ferido, embora não tenha sido atingido por bala, e recebeu igualmente assistência hospitalar.
As autoridades indicam que o português se encontraria em situação migratória irregular, com um visto expirado há vários anos, informação que não foi ainda confirmada oficialmente por fontes diplomáticas portuguesas.
Investigação federal em curso
O caso está a ser investigado por várias entidades, incluindo o FBI e a polícia do condado de Anne Arundel, num procedimento padrão sempre que há uso de força letal por agentes federais. O ICE afirmou que os disparos ocorreram por os agentes se sentirem em “perigo iminente”, alegando tentativa de atropelamento.
O governador de Maryland, Wes Moore, confirmou que está a acompanhar o caso e sublinhou a necessidade de “total transparência” na investigação.
Reacções e contexto
O incidente gerou forte atenção mediática nos Estados Unidos, sobretudo por ter ocorrido na véspera de Natal e numa zona residencial considerada tranquila. O caso reacende o debate sobre o uso da força em operações de imigração e sobre a actuação das autoridades federais junto de comunidades migrantes.
Até ao momento, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português não emitiu comunicado público, nem confirmou se está a prestar apoio consular ao cidadão ferido.
O que se segue
As autoridades norte-americanas deverão divulgar nos próximos dias mais detalhes sobre:
- a sequência exacta dos acontecimentos
- se existia um mandado activo
- e se haverá consequências disciplinares ou criminais
O AgoraPT continuará a acompanhar o caso.

