Um novo estudo científico propõe que a mumificação praticada pela cultura Chinchorro, no atual norte do Chile e sul do Peru, pode ter surgido como uma forma ancestral de arteterapia, ajudando as comunidades a lidar com o luto e a perda de entes queridos.
A investigação, publicada numa revista académica de arqueologia, analisa a complexidade técnica e estética das múmias Chinchorro — consideradas as mais antigas do mundo — e sugere que o processo ia além de um simples ritual funerário.
Arte, emoção e luto
Segundo os investigadores, a reconstrução cuidadosa dos corpos, o uso de pigmentos e a modelação detalhada podem ter funcionado como um processo emocional e simbólico, permitindo às comunidades expressar dor, memória e continuidade social.
Ao contrário de outras culturas antigas, os Chinchorro mumificavam indivíduos de todas as idades, incluindo recém-nascidos e crianças, o que reforça a hipótese de que a prática tinha um papel psicológico profundo.
Uma resposta à elevada mortalidade
O estudo contextualiza a prática num período marcado por elevada mortalidade, possivelmente associada a condições ambientais adversas. A mumificação poderá ter servido como um mecanismo coletivo para enfrentar perdas frequentes, transformando o luto em criação material e ritual.
Novas leituras sobre rituais funerários antigos
Os autores defendem que esta interpretação amplia a compreensão dos rituais funerários pré-históricos, mostrando que práticas artísticas e terapêuticas podem ter surgido muito antes do que se pensava.
A hipótese não substitui explicações religiosas ou sociais, mas acrescenta uma nova dimensão à análise arqueológica do comportamento humano antigo.
Próximos passos da investigação
Os investigadores planeiam aprofundar o estudo comparando os Chinchorro com outras culturas antigas, avaliando até que ponto arte, emoção e ritual estiveram ligados nas primeiras sociedades humanas.

