Pequim — O órgão máximo legislativo da China anunciou nesta segunda-feira, 29 de dezembro de 2025, a expulsão de três altos responsáveis militares do seu quadro de representantes, no que é descrito pela imprensa como mais uma etapa da ampla campanha anticorrupção dentro das Forças Armadas chinesas. RTP+1
Quem foram os oficiais expulsos
Segundo relatos do South China Morning Post, citados por órgãos internacionais, foram retirados do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP):
- Wang Renhua, chefe do Comité de Assuntos Políticos e Legais da Comissão Militar Central (CMC);
- Zhang Hongbing, comissário político da Polícia Armada do Povo;
- Wang Peng, diretor do departamento de treino da CMC. Jornal de Notícias
Os três oficiais permanecem, no entanto, como membros do Comité Central do Partido Comunista Chinês, a mais alta instância de decisão política do país, apesar de terem sido destituídos das funções legislativas. Jornal de Notícias
Contexto e motivos da exclusão
A decisão ocorre após semanas de especulação internacional sobre o paradeiro e a ausência destes líderes em eventos militares importantes desde julho, como as celebrações do aniversário do Exército de Libertação Popular (ELP) e a quarta sessão plenária do Comité Central do Partido Comunista Chinês, realizada em outubro. Jornal de Notícias
A expulsão foi interpretada por observadores como parte de uma estratégia contínua de “tolerância zero” contra a corrupção nas Forças Armadas, uma marca da política do Presidente Xi Jinping desde que lançou a campanha em 2012, que já visou dezenas de altos quadros militares e civis. Jornal de Notícias
Significado político e institucional
A queda abrupta de oficiais de alto escalão como Wang Renhua, que havia sido promovido a almirante recentemente e era responsável por tribunais, procuradorias e sistemas disciplinares dentro do ELP, aponta para um abalo profundo na hierarquia militar e reforça a noção de que nem os oficiais mais poderosos estão imunes à campanha anticorrupção. Jornal de Notícias
Analistas políticos observam que estas medidas podem refletir não apenas uma ofensiva contra corrupção, mas também um reforço do controle político centralizado sobre os setores estratégicos da defesa, num contexto de crescentes tensões regionais e geopolíticas. Jornal de Notícias
Reações e implicações internacionais
Até ao momento, o Ministério da Defesa chinês não comentou diretamente a expulsão dos oficiais. No entanto, em resposta a um relatório anual sobre o poderio militar chinês divulgado pelos Estados Unidos, um porta-voz da defesa descreveu as avaliações externas como deturpações da política de defesa da China e tentativa de “enganar a comunidade internacional” sobre a sua estratégia militar. Jornal de Notícias
Especialistas em relações internacionais indicam que o fortalecimento da campanha anticorrupção nas Forças Armadas pode ser visto como um movimento para aumentar a disciplina interna, porém também levanta questões sobre a estabilidade da liderança militar e a moral dentro do Exército de Libertação Popular, num momento em que Pequim enfrenta desafios em sua esfera estratégica e diplomática.

