A Estrela de Belém pode ter sido um cometa chinês, segundo um novo estudo científico que analisou registos astronómicos da China antiga. A investigação sugere que descrições históricas de um objeto celeste brilhante e visível durante várias semanas coincidem com o fenómeno referido no Evangelho de Mateus.
Evidências históricas e astronómicas
Astrónomos que participaram do estudo analisaram registros antigos, incluindo o Han Shu (História da Dinastia Han), onde se descreve um objeto celestial chamado “broom star” (estrela-vassoura), termo tradicionalmente usado para cometas, observado no segundo mês do segundo ano do calendário chinês — equivalente a março a abril de 5 a.C.E. — e relatado como visível por mais de 70 dias, um padrão raro que se ajusta à duração necessária para o fenómeno bíblico. phys.org
Teoria do movimento aparente
O novo estudo sugere que um cometa de longo período, com uma trajetória específica, poderia ter exibido um movimento aparente raro ao longo do firmamento, fazendo-se parecer que “ficava imóvel” numa posição relativa ao solo por um período prolongado. Este efeito poderia explicar a narrativa de que a estrela “precedeu” os Magos em sua jornada e “ficou sobre” o local de Belém — uma descrição que desafia explicações puramente planetárias ou estelares padrão. phys.org
Relação com os registros chineses
Os textos astronómicos chineses antigos são algumas das mais antigas observações sistemáticas de cometas e outros objetos celestes. Relatórios como o do Han Shu destacam a presença de um objeto brilhante no céu durante um período extenso, coincidindo aproximadamente com as datas estimadas para o nascimento de Jesus, possivelmente entre 5 e 4 a.C.E., com impacto cultural e observacional significativo tanto para astrónomos quanto para astrólogos da época. Wikipedia
Implicações científicas e culturais
Embora a interpretação de um cometa como a Estrela de Belém não seja unânime entre os especialistas — e algumas análises antigas também considerem outros fenómenos como supernovas ou conjunções planetárias — esta hipótese reforça a ideia de que eventos astronómicos naturais podem ter sido interpretados como sinais significativos na antiguidade, influenciando crenças e tradições culturais ao longo dos séculos. phys.org+1
Próximos passos na investigação
Os autores defendem que análises adicionais de textos históricos e simulações astronómicas detalhadas podem ajudar a confirmar ou refinar a órbita proposta para o cometa de 5 a.C.E., abrindo perspetivas tanto para historiadores das religiões quanto para cientistas interessados na ligação entre fenómenos celestes e narrativas documentadas em fontes antigas.
O que dizem outros estudos sobre a Estrela de Belém
A origem da Estrela de Belém tem sido objeto de debate académico ao longo de décadas. Além da hipótese do cometa chinês, outros estudos sugerem explicações alternativas, como conjunções planetárias raras, supernovas ou fenómenos astronómicos ainda não totalmente compreendidos.
No entanto, muitos astrónomos destacam que os registos chineses antigos são considerados dos mais rigorosos da antiguidade, descrevendo com detalhe a duração, posição e brilho de fenómenos celestes. Esses documentos reforçam a credibilidade da hipótese de que um cometa visível durante várias semanas poderia ter sido interpretado como um sinal extraordinário.
Especialistas sublinham que, independentemente da interpretação religiosa, a investigação contribui para compreender como civilizações antigas observavam o céu e atribuíam significado a eventos astronómicos raros. O cruzamento entre ciência moderna, história e textos antigos continua a fornecer novas perspetivas sobre fenómenos que marcaram profundamente a cultura humana.

