Investigadores da Tokyo Metropolitan University publicaram um novo estudo que revela como a presença de números no nosso campo de visão pode influenciar, de modo subtil, a percepção do espaço e dos centros de formas geométricas, graças a uma interação entre a magnitude numérica e os processos visuais baseados em objectos. Neuroscience News
Como os números moldam a nossa percepção
Experimentos recentes demonstraram que, quando os participantes observam linhas preenchidas com números de diferentes tamanhos, a posição que julgam ser o centro pode ser deslocada de acordo com a magnitude numérica. Isto apoia a noção de uma “linha de números mental”, em que números menores tendem a empurrar a perceção do centro para a esquerda, e números maiores influenciam a perceção para a direita ou para baixo, dependendo da orientação dos estímulos. Neuroscience News
Diferenças entre linhas e formas complexas
Quando a equipa passou a usar formas bidimensionais mais complexas, como quadrados preenchidos por números, o efeito puramente numérico deixou de aparecer. Em vez disso, os participantes exibiram um forte viés vertical ascendente, sugerindo que processos de reconhecimento de objectos no cérebro passaram a dominar a forma como a posição espacial foi avaliada. Neuroscience News
Segundo os autores, este padrão indica que existem múltiplos sistemas neurais a interagir na construção da nossa percepção do espaço:
- Um sistema que processa a magnitude numérica e pode induzir um viés lateral (horizontal);
- Outro que está ligado ao reconhecimento de formas e objectos, com impacto nas orientações espaciais verticais. EurekAlert!
Método experimental
Os investigadores pediram a voluntários que determinassem o centro de linhas ou quadrados preenchidos com números apresentados visualmente. Para as linhas horizontais, a magnitude numérica influenciou consistentemente a localização percebida do centro. Quando o mesmo pedido foi feito com quadrados bidimensionais, o efeito numérico deixou de ser dominante, substituído por um viés vertical mais pronunciado, possivelmente ligado à forma como o cérebro processa figuras completas. EurekAlert!
Significado da descoberta
Estes resultados demonstram que a percepção espacial não é um processo unitário, mas sim o resultado de uma “disputa” entre diferentes tipos de processamento cognitivo no cérebro. O que se percebe como o centro de um objecto pode variar não apenas com base em propriedades físicas ou geométricas, mas também com base em como os símbolos — como números — estão distribuídos na cena visual. EurekAlert!
A equipa propõe que compreender estas interacções pode ter implicações importantes em áreas que dependem da integração entre significado simbólico e percepção visual, como design de interfaces, apresentação de dados visuais, educação e até interfaces cérebro-computador. EurekAlert!

