A primeira chuva de meteoros do ano vai coincidir com uma superlua nos céus de janeiro, criando um fenómeno astronómico raro que promete chamar a atenção de observadores, mas que também poderá dificultar a visibilidade dos meteoros mais ténues devido ao brilho intenso da Lua.
O que está em causa neste fenómeno astronómico
O mês de janeiro marca tradicionalmente o início do calendário astronómico anual, com a ocorrência da primeira grande chuva de meteoros visível a partir do hemisfério norte e, em condições favoráveis, também a partir de Portugal. Este ano, o fenómeno ganha particular destaque por ocorrer em simultâneo com uma superlua, isto é, uma Lua cheia que surge quando o satélite natural da Terra se encontra mais próximo do planeta.
Esta coincidência é pouco frequente e gera interesse tanto entre astrónomos profissionais como entre entusiastas da observação do céu.
O que é a chuva de meteoros de janeiro
A chuva de meteoros de janeiro resulta da passagem da Terra por uma região do espaço rica em detritos deixados por um antigo corpo celeste. Quando estas partículas entram na atmosfera terrestre a grande velocidade, vaporizam-se e produzem os conhecidos “riscos de luz” no céu noturno.
Em condições ideais, esta chuva pode produzir dezenas de meteoros por hora, sendo conhecida por meteoros rápidos e, ocasionalmente, muito brilhantes.
O papel da superlua e o impacto na observação
A superlua ocorre quando a Lua cheia coincide com o perigeu — o ponto da sua órbita em que está mais próxima da Terra. Nestas condições, a Lua parece:
- Até 14% maior
- Cerca de 30% mais brilhante
Este brilho adicional tem um impacto direto na observação astronómica, pois:
- Reduz o contraste do céu noturno
- Torna mais difíceis de ver os meteoros menos luminosos
- Favorece apenas a observação dos meteoros mais intensos
Especialistas sublinham que, apesar da coincidência visualmente impressionante, a superlua não aumenta a atividade dos meteoros, limitando-se a afetar a sua visibilidade.
Quando e como observar em Portugal
De acordo com previsões astronómicas, o pico da chuva de meteoros ocorre durante a madrugada, coincidindo com a Lua alta no céu. Para maximizar a observação, os especialistas recomendam:
- Escolher locais afastados da poluição luminosa
- Olhar para zonas do céu opostas à Lua
- Permitir pelo menos 20 a 30 minutos para adaptação dos olhos à escuridão
- Evitar telescópios, privilegiando a observação a olho nu
Mesmo com o brilho lunar, ainda será possível observar meteoros mais luminosos, sobretudo em períodos de maior atividade.
Importância científica e educativa
As chuvas de meteoros não são apenas espetáculos visuais. Do ponto de vista científico, permitem:
- Estudar a composição de detritos espaciais
- Compreender melhor a dinâmica orbital de pequenos corpos celestes
- Sensibilizar o público para a observação astronómica
A coincidência com uma superlua torna este evento particularmente relevante para ações de divulgação científica e educação em astronomia.
Limitações e cautelas
A observação estará dependente de vários fatores:
- Condições meteorológicas locais
- Intensidade real do brilho lunar
- Localização geográfica do observador
Além disso, o fenómeno não representa qualquer risco para a Terra, uma vez que os meteoros se desintegram totalmente na atmosfera.
Próximos eventos astronómicos a acompanhar
Após este evento de janeiro, o calendário astronómico de 2025 inclui:
- Outras chuvas de meteoros ao longo do ano
- Eclipses lunares e solares
- Novas superluas em meses específicos
Astrónomos recomendam acompanhar previsões atualizadas para aproveitar ao máximo cada fenómeno.

