Nicolás Maduro é o Presidente da Venezuela e uma das figuras políticas mais controversas da América Latina nas últimas décadas. Assumiu o cargo em 2013, após a morte de Hugo Chávez, de quem foi aliado próximo e sucessor político. Antes de chegar à presidência, Maduro teve um percurso ligado ao movimento sindical, foi deputado, ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-presidente do país.
Desde que chegou ao poder, Maduro tem governado num contexto marcado por grave crise económica, social e política, com elevados níveis de inflação, escassez de bens essenciais e um fluxo significativo de migração de cidadãos venezuelanos para outros países. As suas vitórias eleitorais têm sido frequentemente contestadas pela oposição e por vários governos estrangeiros, que acusam o seu executivo de autoritarismo e de enfraquecimento das instituições democráticas.
Nos Estados Unidos, Nicolás Maduro é alvo de acusações criminais graves, apresentadas oficialmente pelo Departamento de Justiça norte-americano. As autoridades dos EUA acusam o líder venezuelano de estar envolvido num esquema de narcotráfico internacional, alegando que utilizou o seu cargo e a estrutura do Estado para facilitar o envio de grandes quantidades de cocaína para território norte-americano.
Segundo os procuradores dos EUA, Maduro teria colaborado com grupos armados e organizações criminosas, incluindo dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), com o objectivo de transformar o tráfico de droga numa ferramenta de financiamento e influência política. Estas acusações incluem crimes como narcoterrorismo, conspiração para tráfico de estupefacientes, corrupção e posse ilegal de armas.
Como parte destas investigações, o governo norte-americano anunciou recompensas milionárias por informações que conduzam à captura ou condenação de Maduro. Em determinados momentos, o valor oferecido chegou a dezenas de milhões de dólares, colocando o presidente venezuelano numa lista semelhante à de grandes líderes de organizações criminosas procurados internacionalmente.
Além das acusações criminais, os Estados Unidos impuseram sanções económicas e financeiras severas contra Maduro, membros do seu governo e entidades ligadas ao Estado venezuelano. Estas medidas incluem o congelamento de bens, restrições a transacções financeiras e limitações ao comércio internacional, com o objectivo declarado de pressionar o regime venezuelano e responsabilizar os seus dirigentes.
O governo de Nicolás Maduro rejeita todas as acusações, classificando-as como infundadas e politicamente motivadas. O presidente afirma que se trata de uma estratégia de Washington para enfraquecer a soberania da Venezuela, interferir nos seus assuntos internos e promover uma mudança de regime. Caracas sustenta ainda que as sanções agravam a crise económica e afectam directamente a população.
Enquanto isso, a comunidade internacional permanece dividida: alguns países reconhecem Maduro como presidente legítimo, enquanto outros apoiam a oposição venezuelana ou exigem novas eleições com maior transparência. As acusações dos Estados Unidos continuam a pesar sobre o chefe de Estado venezuelano, contribuindo para o seu isolamento diplomático e para a persistente tensão nas relações internacionais envolvendo a Venezuela.

