A Marinha Portuguesa salvou 589 pessoas em 2025, no âmbito de 511 operações de busca e salvamento marítimo, segundo dados oficiais divulgados no início de janeiro. O balanço confirma o papel central da autoridade marítima portuguesa na proteção da vida humana no mar, numa das maiores áreas de responsabilidade marítima da Europa.
Contexto institucional e missão da Marinha
A busca e salvamento marítimo em Portugal é uma responsabilidade do Estado assegurada pela Marinha Portuguesa, através dos Centros de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo (MRCC). Estes centros operam 24 horas por dia e coordenam respostas a situações de emergência que ocorrem tanto junto à costa como em alto-mar.
Portugal tem jurisdição sobre uma vasta área do Atlântico Norte, que inclui o continente, os arquipélagos dos Açores e da Madeira, bem como uma extensa zona económica exclusiva. Esta dimensão coloca o país entre os Estados europeus com maior responsabilidade marítima, exigindo capacidade técnica, meios especializados e cooperação internacional permanente.
Em 2025, esta missão foi desempenhada num contexto particularmente exigente, marcado pelo aumento do tráfego marítimo, crescimento das atividades de recreio náutico e episódios de instabilidade meteorológica.
Metodologia e origem dos dados
Os números agora divulgados resultam da consolidação dos registos operacionais dos centros MRCC, que recebem alertas provenientes de:
- Chamadas de emergência
- Sistemas de localização marítima
- Comunicações de embarcações em dificuldade
- Alertas de autoridades nacionais e estrangeiras
Cada ocorrência é avaliada em tempo real, sendo mobilizados os meios considerados adequados, incluindo navios da Marinha, aeronaves, embarcações da Autoridade Marítima e, quando necessário, meios civis ou internacionais.
Resultados principais de 2025
O balanço anual revela:
- 511 ações de busca e salvamento coordenadas
- 589 pessoas resgatadas com vida
- Centenas de meios mobilizados ao longo do ano
- Operações realizadas em diferentes cenários, desde zonas costeiras até alto-mar
Os centros de Lisboa, Ponta Delgada e Funchal estiveram entre os mais ativos, refletindo a intensidade do tráfego marítimo nas respetivas áreas de responsabilidade.
Tipologia das ocorrências
As operações de 2025 abrangeram situações diversas, entre as quais:
- Embarcações de pesca em dificuldades mecânicas
- Veleiros e embarcações de recreio à deriva
- Evacuações médicas urgentes em alto-mar
- Situações de naufrágio ou risco iminente
- Apoio a tripulações em condições meteorológicas adversas
Segundo a Marinha, muitos destes incidentes ocorreram a dezenas ou centenas de quilómetros da costa, exigindo elevada coordenação logística e técnica.
Limitações, riscos e alertas à população
Apesar do elevado número de vidas salvas, a Marinha sublinha que uma parte significativa das ocorrências poderia ser evitada. Entre os fatores mais comuns identificados estão:
- Falta de planeamento das viagens marítimas
- Desconhecimento das previsões meteorológicas
- Equipamentos de segurança incompletos ou obsoletos
- Falhas de comunicação a bordo
As autoridades reforçam a necessidade de cumprimento rigoroso das normas de segurança, sobretudo em atividades de recreio náutico, que continuam a representar uma parte relevante das situações de emergência.
Impacto humano e social
Cada número do balanço anual corresponde a uma vida protegida. As 589 pessoas salvas em 2025 incluem pescadores, navegadores de recreio, tripulantes profissionais e cidadãos em situações médicas críticas.
Além do impacto direto na segurança humana, estas operações têm relevância social e económica, ao proteger comunidades costeiras, atividades económicas ligadas ao mar e a reputação internacional de Portugal enquanto Estado responsável pela segurança marítima.
Importância estratégica para Portugal
O desempenho da Marinha Portuguesa em busca e salvamento reforça:
- A credibilidade internacional do país
- A cooperação com parceiros europeus e atlânticos
- A necessidade de investimento contínuo em meios navais e aéreos
- A formação especializada de militares e técnicos
Num país com forte ligação histórica ao mar, esta missão assume também um valor simbólico e estratégico.
Próximos passos e perspetivas para 2026
Para o próximo ano, estão previstas várias linhas de ação:
- Reforço da cooperação internacional em operações conjuntas
- Modernização gradual de equipamentos e sistemas de comunicação
- Apostas em formação técnica especializada
- Campanhas de sensibilização pública para a segurança marítima
O objetivo é manter — e, sempre que possível, melhorar — a capacidade de resposta a emergências marítimas.

