Os preços do arrendamento em Portugal começaram a desacelerar, marcando uma inversão parcial do ritmo de crescimento registado nos últimos anos. Dados recentes do mercado imobiliário indicam que, embora as rendas continuem elevadas, o aumento anual perdeu intensidade em várias regiões do país, sinalizando um possível abrandamento da pressão sobre o mercado habitacional.
O que mostram os dados mais recentes
Indicadores divulgados por plataformas imobiliárias e entidades do setor revelam que o crescimento das rendas abrandou no final de 2025 e início de 2026, após um ciclo prolongado de subidas acentuadas. Em termos médios nacionais, a variação homóloga mantém-se positiva, mas abaixo dos máximos registados em anos anteriores.
Este comportamento é visível sobretudo:
- nas grandes áreas metropolitanas, como Lisboa e Porto;
- em cidades médias, onde a procura estabilizou;
- em alguns mercados periféricos, onde se regista mesmo estagnação.
Lisboa e Porto continuam caras, mas com menor pressão
Lisboa e Porto continuam a apresentar os valores médios de renda mais elevados do país, mas os dados apontam para:
- menor número de novos contratos com aumentos expressivos;
- maior tempo médio de permanência dos imóveis no mercado;
- crescimento mais moderado face ao observado entre 2021 e 2024.
Especialistas indicam que a capacidade financeira das famílias atingiu um limite de esforço, travando novos aumentos agressivos.

Fatores que explicam a desaceleração
Vários fatores ajudam a explicar este novo comportamento do mercado:
1️⃣ Limite de esforço das famílias
O aumento do custo de vida e das taxas de juro reduziu a margem financeira dos arrendatários, limitando a aceitação de rendas mais altas.
2️⃣ Medidas públicas na habitação
Programas de apoio ao arrendamento acessível e incentivos fiscais começaram a ter impacto gradual, sobretudo em contratos de longa duração.
3️⃣ Ajuste da procura
Após anos de forte pressão, parte da procura foi absorvida, levando a um equilíbrio mais gradual entre oferta e procura.
4️⃣ Mercado mais cauteloso
Proprietários mostram-se mais prudentes, privilegiando estabilidade contratual em vez de aumentos rápidos com risco de vacância.
Diferenças regionais
Apesar da tendência nacional, o comportamento do mercado não é uniforme:
- Interior do país: rendas mais estáveis e aumentos residuais;
- Litoral urbano: desaceleração clara, mas valores elevados;
- Zonas turísticas: mercado mais volátil, influenciado pela sazonalidade.
Estas diferenças refletem a diversidade económica e demográfica do território.
Impacto para arrendatários
Para quem procura casa para arrendar, a desaceleração representa:
- maior margem de negociação;
- menor risco de aumentos súbitos;
- possibilidade de contratos mais longos e estáveis.
No entanto, o nível absoluto das rendas continua a ser um desafio para muitas famílias, sobretudo jovens e agregados de rendimento médio.
Impacto para proprietários
Do lado da oferta, os proprietários enfrentam:
- maior concorrência entre imóveis;
- necessidade de ajustar expectativas de rentabilidade;
- maior foco na qualidade do imóvel e do contrato.
Especialistas defendem que a estabilidade poderá beneficiar ambas as partes a médio prazo.
Limitações e cautelas
Analistas alertam que:
- a desaceleração não significa descida generalizada de preços;
- novos choques económicos podem alterar a tendência;
- o problema estrutural da falta de habitação permanece.
A evolução do mercado dependerá da política pública, da economia e da capacidade de aumentar a oferta habitacional.
Próximos passos do mercado
Para 2026, espera-se:
- crescimento mais moderado das rendas;
- maior peso de programas de arrendamento acessível;
- debate reforçado sobre políticas de habitação.
O setor continuará sob atenção pública e política, dada a sua relevância social.

