O mundo entrou novamente em estado de alerta face ao agravamento das tensões geopolíticas, com a Europa a surgir como o principal foco de preocupação num cenário que vários analistas comparam aos acontecimentos que antecederam o conflito na Ucrânia, em 2014. Especialistas em segurança internacional alertam que, num contexto mais radical, o continente europeu poderá enfrentar instabilidade profunda, caso falhem os mecanismos de dissuasão e cooperação internacional.
O aviso surge num momento particularmente sensível, marcado por incertezas quanto ao futuro das relações transatlânticas, à postura dos Estados Unidos em matéria de defesa colectiva e ao comportamento cada vez mais assertivo da Rússia nas fronteiras orientais da Europa. A combinação destes factores está a gerar receios de que o equilíbrio de segurança europeu possa ser seriamente posto em causa.
Paralelos com a Ucrânia e sinais de alerta
Em 2014, a Ucrânia viveu uma rápida escalada de tensão após protestos internos e mudanças políticas, culminando na anexação da Crimeia pela Rússia e no início de um conflito prolongado no leste do país. Muitos analistas consideram que a Europa ignorou sinais claros de alerta na altura, o que permitiu uma deterioração acelerada da situação.
Hoje, segundo especialistas, há sinais semelhantes: aumento de exercícios militares, operações híbridas, campanhas de desinformação, ciberataques e pressões diplomáticas que testam a capacidade de resposta da União Europeia e da NATO. Estes factores, se combinados com divisões políticas internas ou enfraquecimento de alianças, podem abrir espaço a cenários de maior instabilidade.
Incerteza sobre o papel dos Estados Unidos
Outro elemento central desta preocupação é a imprevisibilidade da política externa norte-americana, sobretudo no que diz respeito ao compromisso com a defesa da Europa. Declarações e posições associadas a Donald Trump, nomeadamente no passado, levantaram dúvidas sobre a solidez do apoio dos EUA aos aliados europeus em caso de crise.
Esta incerteza tem levado vários líderes europeus a defender uma maior autonomia estratégica, com reforço das capacidades de defesa próprias da União Europeia, reduzindo a dependência externa e fortalecendo a resposta colectiva a ameaças emergentes.
Europa chamada a agir
Perante este contexto, cresce o consenso de que a Europa não pode repetir os erros do passado. Especialistas defendem investimento reforçado em defesa, maior coordenação política entre Estados-membros, combate eficaz à desinformação e uma diplomacia activa que reduza riscos de escalada militar.
O alerta é claro: se a Europa não estiver preparada e unida, um cenário de instabilidade semelhante ao da Ucrânia em 2014 poderá tornar-se uma realidade, com consequências graves para a segurança, economia e estabilidade política do continente.

